"Somos o descarnar da perdição. Fungos foram a composição que nos tornou a existir. Fósseis desprovidos de inteligência, foi o alimento para o nosso cérebro e os muscos das florestas, foi a composição para a nossa estrutura. O beijo maçante dos primitivos selvagens, foi a harmonia do nosso habitar. A mata foi onde nossos ancestrais se adaptaram e assassinaram um ao outro. Na época de fome, fomos massacrados pela nossa própria raça; assassinávamos por apatia a fome. Tínhamos sede e apodrecíamos as mamas de nossas fêmeas. Cuspíamos em nosso filhos como prova de respeito. Fugíamos depois de um ataque frustrado. Não havia compaixão entre os feridos; deixavam-anos apodrecerem no calor do deserto e no sereno das madrugadas. A doença matava uma população quase inteira, com o tempo aprendemos a descartar quem possuía alguma doença. Com o tempo descobrimos que o mais forte precisa sobreviver para que a espécie sobreviva. Aprendemos que a fêmea mais forte precisa fecundar do mais forte; se por acaso, o rei da tribo se reproduzisse com uma fêmea de grau inferior que as outras, este filhote tinha uma vida de humilhações e era considero um bastardo; neste momento, começou o preconceito e a imoralidade, presente no sistema populacional de hoje. Começamos a distribuir o poder do macho-chefe, criamos ministérios: uns procuravam comida; outros faziam fogo e outros reproduziam. Fomos tomando pouco a pouco cada canto da terra. Inventamos artifícios para nos auxiliar ao combate das outras espécies predominantes. Descobrimos que no dia temos vantagem, pois, a maioria, de nosso rivais, eram dorminhocos durante o dia e suas, respectivas, visões eram limitadas ao contato da luz. Além disso, eles eram hostis na presença do fogo. Pouco a pouco fomos dominando e tornando a nossa espécie a única sem risco de extinção. Aos poucos assassinávamos os nossos competidores e quando não tínhamos mais que destruir, começamos destruir nós mesmos. Hoje, somos repletos de incredulidades sobre o nosso próprio eu. No momento que matavam-anos os outros dominadores, cavam-anos nossa própria tumba. Na mesma lápide que enterramos o nosso rival, enterramos um companheiro. O desiquilíbrio da natureza, apenas nos fez se perder e nunca mais nos encontrar. Fomos os assassinos de nossa própria raça.”
Augusto Soares 

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